A pedido do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), a Justiça determinou que o Município de Livramento de Nossa Senhora adote medidas para regularizar seu quadro de servidores e realize concurso público para o preenchimento de cargos efetivos. A decisão determina o cumprimento de sentença decorrente de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o MPBA e o município.
Na fase de execução da sentença, o MPBA, por meio da promotora de Justiça Ana Luíza de Oliveira, informou à Justiça que a Prefeitura mantém 2.027 contratos temporários, o equivalente a 64,4% do total de vínculos existentes na administração municipal. A promotora aponta que o Município não apresentou documentos e justificativas suficientes para comprovar a regularidade dessas contratações.
Ao analisar o caso, o juiz rejeitou o pedido da Prefeitura para obter novo prazo sem data definida para cumprir a sentença e acolheu proposta apresentada pelo MPBA para implantação de um plano de regularização. A decisão estabelece que o município apresente informações detalhadas sobre todos os contratos temporários, informando a função exercida, o período de contratação, a forma de seleção e a justificativa para cada vínculo. Além disso, foi determinada a comprovação do encerramento dos contratos que não atendam aos requisitos previstos na Constituição Federal, podendo a manutenção temporária de servidores ocorrer apenas em situações indispensáveis para garantir a continuidade dos serviços de saúde e educação.
O município deve ainda comprovar publicação de edital de concurso público para preenchimento dos cargos efetivos vagos, apresentando também o cronograma das etapas do certame. A decisão prevê multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento das determinações, limitada inicialmente a R$ 200 mil. Os recursos deverão ser destinados ao Fundo de Interesses Difusos.
Uma operação conjunta entre a Polícia Militar de Goiás e o 24º Batalhão de Polícia Militar de Brumado resultou na prisão de um homem e na recuperação de celulares furtados, por volta das 18h do último domingo (13), na Vila Presidente Vargas.
A ação teve início após a PM de Goiás informar que suspeitos de furtos durante o show do cantor Gusttavo Lima, realizado em Goiânia (GO), no sábado (12), estariam passando por Brumado em um veículo Hyundai HB20. De posse dos dados, a guarnição da CETO e o coordenador de área interceptaram o veículo.Durante a abordagem, dois celulares Samsung foram encontrados sobre o banco. Em uma inspeção mais detalhada, dois iPhones foram localizados escondidos na lataria do carro, envolvidos em papel alumínio e ocultados por uma massa branca estruturada como fundo falso.
Questionado, o motorista alegou ter pago R$ 2 mil pelos aparelhos, cujo valor de mercado pode ultrapassar R$ 15 mil.O condutor possui histórico de furtos em outro show do mesmo artista em Sergipe, além de passagens policiais em Porto Seguro e Salvador (BA). O setor de Inteligência da PM de Goiás também enviou fotos que permitiram identificar roupas e tênis semelhantes aos do suspeito na mala do veículo.O homem e o material apreendido foram encaminhados à delegacia para a adoção das medidas legais.
Objetos apreendidos:
Celulares Recuperados: 4
1 Rádio Comunicador
Roupas semelhantes às usadas no dia do fato.
Uma nova unidade de conservação foi criada na Bahia, pelo Estado. O Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha abrange áreas dos municípios de Itaeté, Ibicoara, Mucugê e Iramaia, na Chapada Diamantina. Ele foi instituído pelo Decreto Estadual nº 24.778/2026 e tem como objetivo a conservação de ecossistemas naturais, da biodiversidade, dos recursos hídricos e da paisagem da região.
A criação da unidade atende a recomendação conjunta expedida pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e pelo Ministério Público Federal (MPF), resultado de uma atuação articulada que reuniu, no âmbito do MPBA, as Promotorias de Justiça Especializadas em Meio Ambiente do Alto e Médio Paraguaçu, por meio dos promotores de Justiça Alan Cedraz e Thyego de Oliveira Matos, com o apoio do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente e Urbanismo (Ceama), por meio de seu coordenador, o promotor de Justiça Augusto César Carvalho de Matos, e, no âmbito do MPF, a atuação do procurador da República Ramiro Rockenbach.
Em maio deste ano, os Ministérios Públicos recomendaram ao Estado da Bahia que conferisse tratamento prioritário à conclusão do processo administrativo de criação da unidade e adotasse categoria de proteção integral compatível com os atributos ambientais identificados na região. A recomendação apontou o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) como parâmetro mínimo de proteção para a Serra da Chapadinha.
A atuação ministerial foi fundamentada em estudos e informações técnicas que evidenciaram a elevada relevância ecológica, hídrica, paisagística, arqueológica e socioterritorial da Serra da Chapadinha, incluindo a presença de espécies raras e ameaçadas de extinção, extensa cobertura de vegetação nativa preservada e a importância estratégica da área para os recursos hídricos associados à bacia do Rio Paraguaçu e à sub-bacia do Rio Una. As apurações também apontaram pressões fundiárias, minerárias, imobiliárias e outras intervenções com potencial de degradação ambiental, reforçando a necessidade de proteção específica do território.A atuação conjunta do MPBA e do MPF envolveu o acompanhamento do processo de criação da unidade, a análise de estudos e informações técnicas, reuniões e interlocução com órgãos públicos e instituições especializadas, além do diálogo com comunidades locais e representantes da sociedade civil. Em junho de 2024, audiência pública realizada no âmbito da atuação ministerial reuniu órgãos públicos, instituições técnicas, entidades da sociedade civil, moradores e comunidades locais para discutir a proteção da Serra da Chapadinha. Com o decreto, o local passa a contar com uma Unidade de Conservação de Proteção Integral destinada, entre outros objetivos, à proteção de ambientes naturais essenciais à fauna e à flora, à conservação dos recursos hídricos e dos ecossistemas naturais e à manutenção da conectividade entre remanescentes de vegetação nativa e outras áreas protegidas.
Para o promotor de Justiça Alan Cedraz, “a criação da unidade representa importante avanço não apenas para a proteção ambiental da Chapada Diamantina, mas para todo o estado da Bahia, diante da relevância da Serra da Chapadinha para a conservação da biodiversidade, a proteção dos recursos hídricos e a segurança hídrica de uma parcela expressiva da população baiana”. A instituição do Refúgio também representa o resultado de uma longa mobilização social em defesa da Serra da Chapadinha, com participação de ambientalistas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e instituições públicas. Ao longo dos últimos anos, esses atores contribuíram para dar visibilidade à importância ambiental da região, produzir conhecimento, denunciar ameaças ao território e defender a criação de uma unidade de conservação capaz de assegurar proteção efetiva à área.
Para Alan Cedraz, o reconhecimento dessa trajetória é parte essencial da própria conquista. “Essa vitória também pertence à sociedade civil, às comunidades, aos pesquisadores e a todos aqueles que, muitas vezes enfrentando pressões e riscos pessoais, mantiveram viva a defesa da Serra da Chapadinha. Em um país ainda marcado pela violência contra defensores do meio ambiente e dos direitos humanos, a criação dessa unidade demonstra a importância da participação social e do papel das instituições públicas na proteção de quem defende o patrimônio ambiental.”
Foto: Divulgação/ASCOM Inema
Um jovem de 15 anos foi parar na delegacia após subir em uma moto da polícia que estava em um lava jato e postar foto com gesto que faz referência à uma facção criminosa.
Após as imagens circularem nas redes sociais, o jovem foi identificado e em companhia da mãe foi encaminhado para a delegacia para prestar depoimento, o dono do lava jato, que fica na Avenida João Paulo I, também teve que se explicar para a autoridade policia. Veja o video abaixo!
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, ao menos 23 cidades da Bahia estão com alerta amarelo, ou seja, há possibilidade de chuvas entre 20 e 30 mm/h, podendo chegar a 50 mm/dia, municípios que poderão ser mais afetados estão no centro sul.
O Inmet ainda recomenda que, em caso de rajadas de vento, evite se abrigar debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas, evite estacionar veículis próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Devesa Civil, Corpo de Bombeiros devem ser acionados em caso de emergência.
Após quatro dias de encontros com lideranças, empresários e representantes das cadeias produtivas da Chapada Diamantina, o programa Avança Chapada encerra seu segundo ciclo de escuta com um resultado concreto: a definição das soluções consideradas prioritárias por quem vive e produz no território. As propostas irão compor a agenda produtiva do programa para a região, que será apresentada e pactuada pelas instituições parceiras em janeiro de 2027, em Lençóis.
Os encontros realizados na última semana (24 a 27/08) em Mucugê, Piatã, Seabra e Morro do Chapéu reuniram 87 participantes dos 24 municípios da Chapada Diamantina, que votaram individualmente nas ações consideradas prioritárias tanto para o crescimento sustentável da região quanto para o desenvolvimento dos negócios que empreendem no território.
Na ocasião, o Avança Chapada, realizado do Sistema FIEB, por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), com financiamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), lançou a segunda linha de atuação do programa, a Biochapada, que tem como objetivo de avaliar o potencial bioenergético da região, numa atuação em parceria com o Senai Cimatec.
Com a presença dos membros da equipe técnica do SENAI CIMATEC, Michelle Calhau e Cláudio Santos, foi apresentada a etapa inicial dedicada ao Diagnóstico Estruturante da Cadeia Regional de Biogás e Biometano na Chapada Diamantina. “Estamos identificando e mapeando os resíduos gerados pelas diversas atividades que acontecem no território e o potencial de transformar esses resíduos em insumos, como biogás e biometano, para gerar energia e renda para a Chapada Diamantina”, explicou Michelle.
Nos próximos meses, o desafio dessa nova frente do Avança Chapada é ouvir atores locais dos setores produtivo e poder público sobre a produção agropecuária e a geração de resíduos sólidos urbanos, além da realização de visitas técnicas e levantamentos de campo. O trabalho também vai mapear demandas da região relacionados à produção agropecuária, aos resíduos sólidos e ao esgotamento sanitário, identificando o potencial da biomassa disponível para a produção de biogás e biometano.
Universidade, estradas e selos de certificação - Em clima de reencontro entre os participantes ligados à Chapada Diamantina por histórias, negócios e projetos de vida, a votação das prioridades durante o segundo ciclo de escuta do Avança Chapada aconteceu com base nos desafios e propostas levantados na primeira rodada de encontros do programa, realizada no último mês de junho.
Entre as soluções que apareceram com maior força estão ações voltadas à formalização e certificação de produtos, com selos de origem e indicação geográfica, à ampliação do acesso ao crédito, acompanhada de assessoria técnica, ao fortalecimento da qualificação profissional ligada às demandas das cadeias produtivas e à melhoria da infraestrutura de transporte e logística, energia elétrica, abastecimento de água e esgotamento sanitário
As prioridades atravessam diferentes dimensões do desenvolvimento regional e revelam demandas que vão desde a criação de melhores condições para produzir e comercializar até a preparação de trabalhadores e empreendedores para ampliar a competitividade dos negócios da Chapada Diamantina, o que inclui o sonho comum entre muitos de uma universidade para a região com cursos que dialoguem com a vocação do território.
“Se for criada uma universidade aqui ou ampliada a oferta de formação local, o jovem pode nem precisar sair do território para estudar. É importante trabalhar com essa perspectiva porque, além de manter o jovem daqui, uma estrutura de formação também pode atrair jovens de outras localidades, que vêm estudar e acabam se inserindo no mercado de trabalho local. É muito importante ter essa visão de levar formação para os lugares que se pretende desenvolver. Se queremos desenvolver a Chapada, precisamos criar estrutura em todas essas áreas”, afirma Ana Luísa Santos Pimentel, proprietária do restaurante e pizzaria Beco da Bateia em Mucugê.
A empreendedora de um dos principais pontos de encontro da noite de Mucugê também chama atenção para os impactos que as deficiências de infraestrutura e logística provocam sobre diferentes atividades econômicas da Chapada. “A Chapada cresceu muito e foram feitos muitos investimentos, inclusive privados, mas a infraestrutura pública não acompanhou esse crescimento. O território ainda é tratado como se morassem poucas pessoas aqui, como se existissem poucos investimentos e poucas empresas, quando essa não é mais a realidade. As empresas precisam escoar aquilo que produzem e também receber insumos para produzir. Tudo isso é impactado. É como se a gente morasse em uma ilha, embora existam estradas ligando o território”, afirma.
Potencial de exportação - Produtor de café e representante da Coopric (Cooperativa de Produtores Rurais de Ibicoara e Chapada Diamantina), Mauro Pereira de Figueiredo chama atenção para a importância de aproximar ciência e tecnologia dos processos produtivos da região. Na cafeicultura, ele defende a implantação de um laboratório especializado que possa ampliar a qualidade das análises e fortalecer a certificação dos cafés da Chapada, inclusive com vistas ao mercado externo.
“No caso específico da cafeicultura na Chapada Diamantina, que hoje já conta com certificação de origem geográfica, seria importante termos um laboratório especializado capaz não apenas de realizar os testes sensoriais, mas também de promover análises químicas. À medida que conseguíssemos quantificar esses compostos químicos e relacionar esses resultados às análises sensoriais, poderíamos subir um degrau no processo de certificação. Isso traria mais legitimidade e qualificação ao café que nós iríamos exportar”, afirma.
As dificuldades de infraestrutura também aparecem entre os entraves mais recorrentes para quem produz e empreende na Chapada Diamantina. Problemas de logística, transporte, fornecimento de energia e conectividade acabam elevando custos, dificultando a circulação de pessoas e mercadorias e limitando a expansão dos negócios.
“A gente percebe que a infraestrutura deixa muito a desejar e é uma barreira para o desenvolvimento, principalmente dos pequenos empreendedores. A gente tem uma dificuldade tremenda com os Correios aqui e o transporte aéreo, por exemplo, só está disponível em Vitória da Conquista, o que exige longos deslocamentos. Outro ponto estratégico é a infraestrutura elétrica. Ela é extremamente importante não só para os pequenos, como também para os grandes, em função da capacidade de carga, do fornecimento e da estabilidade. A energia elétrica cai muito aqui”, afirma Tiago Spinolo Sodré, da ACDC (Associação Chapada Diamantina de Estudos da Medicina Cannábica).
Inovação e união - Um dos pontos altos do segundo ciclo de encontros do programa Avança Chapada foi a dinâmica de escuta, que estimulou trocas em diferentes direções. Ao mesmo tempo em que empresários e produtores elegiam as soluções prioritárias para os desafios enfrentados em suas atividades, também recebiam sugestões, compartilhavam experiências e identificavam novas possibilidades.
Foi o que aconteceu com Érika Fernanda de Brito Silva Macedo, produtora de morangos e representante da Associação Comunitária do Cedro, na zona rural de Boninal. Durante as discussões, ela conta que passou a enxergar novas alternativas para agregar valor à produção local.
“Durante as discussões, surgiram sugestões de outros produtos que podemos produzir tendo o morango como matéria-prima, como geleias e até o morango liofilizado. Foi uma ideia que eu conheci aqui e achei muito interessante. Também acredito que a gente precisa pensar em uma marca ligada à Chapada, porque o nome da Chapada, por si só, é muito forte”, realça.
Já Jaqueline Macedo, engenheira agrônoma e coordenadora de produção da La Vita Alimentos Agroindústria, empresa com mais de 20 anos de atuação e que vem ampliando na região de Piatã o cultivo de hortaliças destinadas à produção de saladas prontas para consumo, destacou a importância de encontros como os promovidos pelo Avança Chapada para aproximar pequenos e grandes produtores em torno de problemas que afetam diferentes elos das cadeias produtivas.
“Mesmo sendo uma empresa grande, a gente tem vários entraves. Um dos principais é a questão dos insumos, porque muita coisa precisa ser trazida de fora, e isso ainda esbarra na logística. Também temos dificuldades com a destinação de resíduos sólidos e com os processos de regularização ambiental. Por isso, achei o programa exemplar. Era algo que realmente estava precisando, até para a gente ter esse contato com outros produtores, produtores menores e também empresas maiores, porque, no fim, todos acabam compartilhando as mesmas dificuldades e, juntos, temos muito mais força”.
A próxima etapa Avança Chapada será dedicada a direcionar as ações para as instituições que compõem o Comitê Gestor do programa. “Iremos conversar com os parceiros para direcionar as ações de acordo com a atuação de cada um. Em seguida, será estruturada uma governança para acompanhar a implantação dessas ações ao longo dos anos. A assinatura do Pacto Avança Chapada, prevista para janeiro de 2027, reunirá as 15 instituições que compõem o Comitê Gestor do programa, além de outras instituições que poderão ser mobilizadas conforme as prioridades apontadas pelos atores da região”, explica a gerente de Negócios do IEL, representando a FIEB, Sandra Pasta.
Universidade, estradas e selos de certificação - Em clima de reencontro entre os participantes ligados à Chapada Diamantina por histórias, negócios e projetos de vida, a votação das prioridades durante o segundo ciclo de escuta do Avança Chapada aconteceu com base nos desafios e propostas levantados na primeira rodada de encontros do programa, realizada no último mês de junho.
Entre as soluções que apareceram com maior força estão ações voltadas à formalização e certificação de produtos, com selos de origem e indicação geográfica, à ampliação do acesso ao crédito, acompanhada de assessoria técnica, ao fortalecimento da qualificação profissional ligada às demandas das cadeias produtivas e à melhoria da infraestrutura de transporte e logística, energia elétrica, abastecimento de água e esgotamento sanitário
As prioridades atravessam diferentes dimensões do desenvolvimento regional e revelam demandas que vão desde a criação de melhores condições para produzir e comercializar até a preparação de trabalhadores e empreendedores para ampliar a competitividade dos negócios da Chapada Diamantina, o que inclui o sonho comum entre muitos de uma universidade para a região com cursos que dialoguem com a vocação do território.
“Se for criada uma universidade aqui ou ampliada a oferta de formação local, o jovem pode nem precisar sair do território para estudar. É importante trabalhar com essa perspectiva porque, além de manter o jovem daqui, uma estrutura de formação também pode atrair jovens de outras localidades, que vêm estudar e acabam se inserindo no mercado de trabalho local. É muito importante ter essa visão de levar formação para os lugares que se pretende desenvolver. Se queremos desenvolver a Chapada, precisamos criar estrutura em todas essas áreas”, afirma Ana Luísa Santos Pimentel, proprietária do restaurante e pizzaria Beco da Bateia em Mucugê.
A empreendedora de um dos principais pontos de encontro da noite de Mucugê também chama atenção para os impactos que as deficiências de infraestrutura e logística provocam sobre diferentes atividades econômicas da Chapada. “A Chapada cresceu muito e foram feitos muitos investimentos, inclusive privados, mas a infraestrutura pública não acompanhou esse crescimento. O território ainda é tratado como se morassem poucas pessoas aqui, como se existissem poucos investimentos e poucas empresas, quando essa não é mais a realidade. As empresas precisam escoar aquilo que produzem e também receber insumos para produzir. Tudo isso é impactado. É como se a gente morasse em uma ilha, embora existam estradas ligando o território”, afirma.
Potencial de exportação - Produtor de café e representante da Coopric (Cooperativa de Produtores Rurais de Ibicoara e Chapada Diamantina), Mauro Pereira de Figueiredo chama atenção para a importância de aproximar ciência e tecnologia dos processos produtivos da região. Na cafeicultura, ele defende a implantação de um laboratório especializado que possa ampliar a qualidade das análises e fortalecer a certificação dos cafés da Chapada, inclusive com vistas ao mercado externo.
“No caso específico da cafeicultura na Chapada Diamantina, que hoje já conta com certificação de origem geográfica, seria importante termos um laboratório especializado capaz não apenas de realizar os testes sensoriais, mas também de promover análises químicas. À medida que conseguíssemos quantificar esses compostos químicos e relacionar esses resultados às análises sensoriais, poderíamos subir um degrau no processo de certificação. Isso traria mais legitimidade e qualificação ao café que nós iríamos exportar”, afirma.
As dificuldades de infraestrutura também aparecem entre os entraves mais recorrentes para quem produz e empreende na Chapada Diamantina. Problemas de logística, transporte, fornecimento de energia e conectividade acabam elevando custos, dificultando a circulação de pessoas e mercadorias e limitando a expansão dos negócios.
“A gente percebe que a infraestrutura deixa muito a desejar e é uma barreira para o desenvolvimento, principalmente dos pequenos empreendedores. A gente tem uma dificuldade tremenda com os Correios aqui e o transporte aéreo, por exemplo, só está disponível em Vitória da Conquista, o que exige longos deslocamentos. Outro ponto estratégico é a infraestrutura elétrica. Ela é extremamente importante não só para os pequenos, como também para os grandes, em função da capacidade de carga, do fornecimento e da estabilidade. A energia elétrica cai muito aqui”, afirma Tiago Spinolo Sodré, da ACDC (Associação Chapada Diamantina de Estudos da Medicina Cannábica).
Inovação e união - Um dos pontos altos do segundo ciclo de encontros do programa Avança Chapada foi a dinâmica de escuta, que estimulou trocas em diferentes direções. Ao mesmo tempo em que empresários e produtores elegiam as soluções prioritárias para os desafios enfrentados em suas atividades, também recebiam sugestões, compartilhavam experiências e identificavam novas possibilidades.
Foi o que aconteceu com Érika Fernanda de Brito Silva Macedo, produtora de morangos e representante da Associação Comunitária do Cedro, na zona rural de Boninal. Durante as discussões, ela conta que passou a enxergar novas alternativas para agregar valor à produção local.
“Durante as discussões, surgiram sugestões de outros produtos que podemos produzir tendo o morango como matéria-prima, como geleias e até o morango liofilizado. Foi uma ideia que eu conheci aqui e achei muito interessante. Também acredito que a gente precisa pensar em uma marca ligada à Chapada, porque o nome da Chapada, por si só, é muito forte”, realça.
Já Jaqueline Macedo, engenheira agrônoma e coordenadora de produção da La Vita Alimentos Agroindústria, empresa com mais de 20 anos de atuação e que vem ampliando na região de Piatã o cultivo de hortaliças destinadas à produção de saladas prontas para consumo, destacou a importância de encontros como os promovidos pelo Avança Chapada para aproximar pequenos e grandes produtores em torno de problemas que afetam diferentes elos das cadeias produtivas.
“Mesmo sendo uma empresa grande, a gente tem vários entraves. Um dos principais é a questão dos insumos, porque muita coisa precisa ser trazida de fora, e isso ainda esbarra na logística. Também temos dificuldades com a destinação de resíduos sólidos e com os processos de regularização ambiental. Por isso, achei o programa exemplar. Era algo que realmente estava precisando, até para a gente ter esse contato com outros produtores, produtores menores e também empresas maiores, porque, no fim, todos acabam compartilhando as mesmas dificuldades e, juntos, temos muito mais força”.
A próxima etapa Avança Chapada será dedicada a direcionar as ações para as instituições que compõem o Comitê Gestor do programa. “Iremos conversar com os parceiros para direcionar as ações de acordo com a atuação de cada um. Em seguida, será estruturada uma governança para acompanhar a implantação dessas ações ao longo dos anos. A assinatura do Pacto Avança Chapada, prevista para janeiro de 2027, reunirá as 15 instituições que compõem o Comitê Gestor do programa, além de outras instituições que poderão ser mobilizadas conforme as prioridades apontadas pelos atores da região”, explica a gerente de Negócios do IEL, representando a FIEB, Sandra Pasta.
Um dia que era para ser de lazer, alegria, acabou se tornando uma das maiores tragédias da história de Paramirim. Na tarde de ontem (30), dois adultos e cinco crianças estavam em uma embarcação improvisada "uma espécie de canoa", em um açude na Fazenda Salinas na zona rural do município. Segundo informações da polícia, a embarcação virou e apenas uma das crianças conseguiu ser resgatada com vida.
Diego Silva Oliveira, 06 anos; Jeferson Davi Silva Oliveira, 09 anos; José Diogo Silva Oliveira, 03 anos e Lorenzo Almeida Cardoso de 08 anos ficaram submersos.
O corpo de Bombeiros foi acionado para retirar os corpos da barragem.
A Justiça decretou, com parecer favorável do Ministério Público da Bahia (MPBA), a prisão preventiva de sete suspeitos de envolvimento em episódios de violência registrados no último domingo (23), antes do clássico Ba-Vi, em Salvador. As decisões foram proferidas pela 1ª Vara das Garantias da Capital durante audiências de custódia realizadas nesta terça-feira (25), após manifestação do Ministério Público pela manutenção das prisões e conversão em preventiva para garantia da ordem pública e preservação das investigações.
A Justiça converteu em prisão preventiva as detenções de seis investigados por participação em um ataque ocorrido na Avenida 29 de Março, na região de Cajazeiras VIII, que resultou na morte do torcedor José Alexandre Souza Borges e deixou outras vítimas feridas. Segundo a investigação policial, o grupo integrava uma ação coletiva formada por dezenas de integrantes da Torcida Uniformizada Imbatíveis (TUI), que teriam utilizado veículos para interceptar torcedores rivais, provocando a colisão de motocicletas e cercando as vítimas com facas, barras de ferro, pedaços de madeira, socos-ingleses, pedras e artefatos explosivos improvisados.
Conforme a decisão judicial, um dos investigados foi reconhecido por vítimas como um dos participantes diretos das agressões e apontado como um dos ocupantes do veículo utilizado na ação. Com ele teriam sido encontradas vestimentas com vestígios de sangue e um soco-inglês. Outros três foram localizados entre 15 e 30 minutos após os fatos, a cerca de 300 metros do local do crime, junto a outros integrantes da torcida organizada, apresentando manchas aparentes de sangue em roupas, calçados ou no corpo, circunstâncias consideradas relevantes para a investigação.
Ao acolher o parecer ministerial, a Justiça ressaltou a gravidade concreta dos fatos, destacando que a vítima fatal sofreu múltiplas perfurações por arma branca e que as demais vítimas só conseguiram escapar das agressões ao buscar refúgio em áreas de mata e barrancos próximos. Segundo a decisão, os elementos reunidos apontam para uma ação planejada, executada por um grande grupo de pessoas e marcada pelo uso de diversos instrumentos ofensivos, circunstâncias que justificam a manutenção da prisão cautelar dos investigados.
Em procedimento distinto, também relacionado aos episódios de violência envolvendo torcidas organizadas antes da partida, a Justiça converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante de um sétimo envolvido. Conforme os autos, ele foi abordado por policiais militares na Avenida Afrânio Peixoto, no bairro do Lobato, em um veículo ocupado por integrantes da torcida organizada “Os Imbatíveis”, em posse de um artefato explosivo artesanal, rojões, socos-ingleses, canivetes, barras de ferro, tinta spray, cordas, faixas e outros materiais associados à torcida organizada. Segundo registrado na decisão, o próprio investigado teria informado em interrogatório que transportava barras de ferro para eventual confronto com integrantes de torcida rival.
Ao defender a conversão da prisão em flagrante em preventiva, o Ministério Público sustentou que a apreensão do explosivo artesanal e dos demais objetos potencialmente utilizados em confrontos evidenciava risco concreto à ordem pública. O entendimento foi acolhido pelo Judiciário, que destacou a periculosidade da conduta, o contexto de rivalidade entre torcidas organizadas e a necessidade de evitar novos episódios de violência.
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Territorial de Ituaçu, com apoio do GATTI Brumado, cumpriu mandado judicial de busca e apreensão no povoado de Riachão, durante investigação que apura fatos relacionados a possível homicídio culposo e porte ilegal de arma de fogo.
As buscas ocorreram na residência do investigado, Marcelo Ribeiro Cruz , em uma oficina e na casa dos avós paternos, na última quinta-feira (20). Na oficina, os policiais localizaram uma motocicleta Honda CG 160 Fan, de cor preta, com indícios de adulteração nos sinais identificadores do chassi e do motor. O investigado afirmou ter adquirido o veículo sem conhecimento de qualquer irregularidade.
Após ser apresentado na delegacia, e com a presença de seu advogado, foi entregue espontaneamente à Polícia Civil um revólver calibre .38, da marca Taurus, que estaria relacionado aos fatos investigados.
A motocicleta e a arma foram apreendidas e serão submetidas a exames periciais. O investigado foi ouvido e permaneceu à disposição da autoridade policial.
O inquérito continua em andamento para esclarecer as circunstâncias do homicídio culposo e verificar a eventual procedência irregular da motocicleta e a relação da arma com os fatos investigados.
Entenda os fatos:
Marcelo é investigado pela morte de Joelson, atingido por um disparo de arma de fogo no dia 27 de julho, no Bar de Jair. A vítima foi socorrida, mas morreu posteriormente em decorrência dos ferimentos.
Inicialmente, foi informado que Joelson teria manuseado a arma e efetuado o disparo acidentalmente. Dias depois, a defesa de Marcelo apresentou uma nova versão, afirmando que o tiro teria sido disparado acidentalmente pelo próprio investigado.
A divergência entre os relatos passou a ser apurada pela Polícia Civil. A arma utilizada no crime teria sido descartada no Rio do Ourives, arma essa, apreendida na última quinta-feira.
As investigações continuam para esclarecer a dinâmica do disparo e determinar as circunstâncias da morte de Joelson.
Uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de capitais é alvo da Operação Véu de Areia, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia na manhã desta quinta-feira (20). A ação cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além de medidas de sequestro, bloqueio e indisponibilidade de bens e valores que totalizam R$ 49,6 milhões. As diligências são realizadas em Salvador e em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pará.
A investigação, conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO), apura a atuação de uma estrutura criminosa com presença em alguns bairros de Salvador. As apurações apontam a existência de um grupo organizado e permanente, com divisão de funções e conexões que ultrapassam os limites territoriais da Bahia.
Os levantamentos identificaram vínculos pessoais e financeiros entre integrantes do grupo, além do uso de pessoas, empresas e contas bancárias para movimentar e ocultar recursos. As investigações também apontaram movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada, transferência de valores entre diferentes contas e rápida circulação do dinheiro, características que podem indicar a prática de lavagem de capitais.
As investigações apontam ainda que uma liderança do grupo, mesmo custodiada no sistema prisional, manteve influência sobre a organização, com indícios de articulação com integrantes e pessoas de confiança. A operação busca atingir simultaneamente as estruturas operacional, financeira e patrimonial da organização, interromper fluxos de recursos ilícitos e ampliar o conjunto probatório para a individualização das condutas e responsabilização dos envolvidos.
A Operação Véu de Areia é realizada no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (RENORCRIM), com atuação integrada da Polícia Civil da Bahia e das Polícias Civis de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pará. A execução coordenada das medidas busca evitar a comunicação entre investigados, a destruição ou ocultação de provas, a evasão de alvos e eventuais movimentações patrimoniais destinadas a frustrar as determinações judiciais.
A operação conta com o apoio dos Departamentos Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC); Especializado de Investigações Criminais (DEIC); de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP); de Inteligência Policial (DIP); de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV); da Coordenação de Operações Especiais (CORE); e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP).